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Inspiration Lab

Viagens

Era tão fácil sonhar com aventuras infinitas, com longas viagens, com a concretização de todos os sonhos quando o meu olhar estava preso no relógio de parede, contando todos os segundos até ao fim de mais uma aula. Era tão fácil sonhar alto quando ainda não conhecia o verdadeiro conceito de responsabilidade. Era tão fácil transformar situações meramente hipotéticas em algo que podia realmente acontecer. Era tão fácil achar tudo tão fácil. Era tão fácil viver.
Depois, cresci. Cresci e entendi que nem sempre podemos largar tudo para partir à descoberta do desconhecido. Entendi que as aventuras com que tanto sonhava não passavam disso, de um sonho. Entendi que, por muito que já ninguém ditasse a que horas devia chegar a casa, o que devia comer ou para onde devia ir, o meu destino continuava nas mãos dos outros. Entendi que crescera, mas nada mudara. E adiei. Adiei a concretização dos meus sonhos. Adiei as aventuras que tanto ambicionava. Dei prioridade às obrigações, deixando para segundo plano tudo aquilo que prometera a mim própria que iria conquistar.
Mas, depois, cresci. Quando pensava que já não podia crescer mais, cresci. E entendi que nunca pararia de crescer. E entendi que nada, nem ninguém, se poderia pôr no caminho entre eu e os meus sonhos, eu e os meus objetivos, eu e quem desejo ser, a não ser que eu permitisse tal coisa. E tal coisa eu não ia permitir. Entendi que podia desperdiçar a minha vida a arranjar desculpas para não encontrar o que tanto desejava encontrar, desculpas para não ser quem tanto desejava ser, ou que podia aproveitar o tempo que dispunha para fazer o que tinha sido feito. E fazê-lo por mim, e por mim apenas. Entendi que era o medo que me impedia de prosseguir. O medo do desconhecido. O medo de arriscar. O medo de ir mais longe do que alguém alguma vez tinha ido. O medo de ser a minha própria luz, sem esperar que alguém iluminasse o meu caminho. O medo de ser eu própria, sem medos. Entendi que as mais importantes viagens são as que fazemos sem gastar um único cêntimo, sem dar um único passo. São aquelas que fazemos dentro de nós. São aquelas que nos transportam até aos outros. São aquelas que nos fazem crescer.
Porque o número de países que já visitámos é irrelevante se em todas as nossas viagens nos esquecemos da nossa alma em casa. Porque o número de países que já visitámos é irrelevante se a nossa alma for viajante, recusando-se a ter um só lar, chamando ao mundo a sua casa.

Luísa

"No fundo, todos temos necessidade de dizer quem somos e o que é que estamos a fazer e a necessidade de deixar algo feito, porque esta vida não é eterna e deixar coisas feitas pode ser uma forma de eternidade." - José Saramago

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