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Inspiration Lab

Ajuda-me a esquecer-te como me esqueceste

Hoje, mais do que em qualquer outro dia, preciso de ti. Mas não preciso de ti como precisei. Preciso de ti para me ajudares a esquecer que alguma vez precisei.
Preciso que me ensines essa arte em que te tornaste mestre. Essa fascinante arte que pareces dominar. Invejo-te, porque a pareces ter aprendido de uma forma incrivelmente natural. Tudo o que mais queria era ter metade da tua capacidade para entender este ofício que fazes parecer tão simples dominar, mas que me parece impossível de compreender.
Porque para além de o teres feito tão bem, fizeste-o depressa. Pensei que pudéssemos aprender isto juntos, mas ainda estava eu a planear o início da minha aprendizagem, já tu vitorioso estavas, de canudo na mão.
Sei que nada me deves. Sei que nada te mereço. Sei que há muito não falamos. Sabes que não é meu hábito importunar quem meu já não é. Mas depois de tantas tentativas, duvido que vá conseguir alguma vez esquecer. E quanto mais penso, quanto mais tempo passa, mais valorizo quem essa notável proeza consegue realizar. Como é que alguém deita para trás das costas com tanta rapidez tantas palavras proferidas, promessas feitas, momentos vividos e prossegue como se nada se passasse?
Por favor, revela-me. Revela-me qual a fórmula mágica para não pensar em ti a cada passo. A cada bater do coração. Revela-me como fazes para não acordares com a imagem de quem não queres gravada em ti. Porque não suporto mentiras. Não gosto de mentir aos outros. Não gosto de mentir a mim mesma. E como posso acreditar em mim própria quando continuo a repetir que movi em frente, quando é para ti que o meu pensamento imediatamente viaja quando lhe é concedida alguma liberdade?
Por favor, ensina-me. Ensina-me a esquecer-te com a rapidez com que me esqueceste. Prometo que será a última coisa que te peço.

Ama-te.

Se só tu te esforças para que funcione, desiste. Se só tu ligas, desiste. Se só tu te importas, desiste. Se só tu amas, desiste.
Desiste. Não por maldade, não. Mas porque a vida é curta demais para viver em relações que não fazem sentido. Relações em que apenas uma parte trabalha para que a relação prossiga. Relações em que apenas um crê. Relações em que apenas um quer.
Desiste. Não por egoísmo, não. Mas porque tu mereces bem mais do que alguém que não te merece. Porque mereces bem mais do que alguém que não te quer merecer.
Desiste. Desiste porque não és inferior a ninguém. Desiste porque não mereces desperdiçar a tua vida vivendo numa relação em que só tu tentas. Em que só tu cuidas. Em que só tu participas. Em que só tu amas.
Ama-te.

Tudo terminou.

Não é assim que tudo termina. Com lágrimas. Com noites em claro. Com infinitas divagações. Com inúmeras indagações sem resposta. Com sonhos por realizar. Com projetos a meio interrompidos. Com um derradeiro beijo. Com um abraço final. Com um virar de costas. Com um último adeus. Com as recordações que não nos abandonam. Com os sentimentos indesejados que perduram. Com dor. Com sofrimento.
Tudo termina com indiferença. Com o esquecimento. Com as outrora preciosas cartas perdidas por gavetas raramente abertas. Com as fotografias esquecidas. Com os bilhetes dispensados. Com novos projetos, novos sonhos, novas esperanças. Com variados recomeços. Com um vislumbre da vida para além do final de algo que tudo significava. Com a reconstrução do nosso mundo depois do seu fim. Com a tão desejada paz.


Tudo terminou.

Mereço melhor.

Esta espera durante muito tempo consumiu-me. Não saber se vinhas. Se planeavas voltar. Ou se ias ficar nessas tuas terras de sonho das quais sempre estavas a falar. Ainda não sei se vens. Se planeias voltar. Ou se nesses longínquos lugares planeias ficar.
Mas algo sei. Sei que o compasso de espera terminou. Sei que durante este tempo foi com a minha mão que sequei as minhas lágrimas. Foi em mim que toda a minha confiança tive que depositar, quando tudo era escuro e incerto.
Espero que os tempos de sufoco pela tua ausência fiquem num passado tão distante que a ele não conseguirei regressar. Espero que não volte a depender de ti para ver o sol brilhar. Espero que a coragem me apoie, agora que de ti me tento afastar. Porque vida sem ti não é vida, mas também não o é por ti eternamente aguardar.
Por isso assim me vou. Para outras terras explorar. Deixar o passado no passado e lutar no presente para ver o que o futuro tem para me dar. Porque esta dolorosa espera ensinou-me que sou mais do que alguém que espera. Alguém que se conforma perante todo e qualquer cenário com que se depara. Alguém que se esquece do seu próprio rumo para aceitar um papel secundário na aventureira história de outro. Porque esta dolorosa espera ensinou-me que sou mais. Que sou melhor. Que mereço mais. Que mereço melhor.

Nunca é tarde para viver.

Nunca é tarde para pedir desculpa.
Nunca é tarde para assumir a culpa.
Nunca é tarde para amar.
Nunca é tarde para respirar.
Nunca é tarde para lutar.
Nunca é tarde para levantar.
Nunca é tarde para sonhar.
Nunca é tarde para rir.
Nunca é tarde para crer.
Nunca é tarde para ser.
Nunca é tarde para ver.
Nunca é tarde para compreender.
Nunca é tarde para aprender.
Nunca é tarde para crescer.
Nunca é tarde para viver.

Contracapa: Will e Will

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 Já tinha ouvido falar muito bem deste livro, por isso decidi dar-lhe uma oportunidade, sem ter as expetativas muito elevadas, calculando que seria uma obra um pouco cliché. Não podia estar mais enganada.

 

Ler Mais )

 

No Laboratório #2

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 Porque é muito fácil, demasiado fácil, passarmos pela vida, deixarmos que ela passe por nós. Difícil é, sim, torná-la nossa, fazer de cada dia uma memorável aventura. Difícil é lutarmos pelo que mais neste mundo desejamos enquanto amamos a vida que temos. Difícil é vivermos a nossa própria vida. Num mundo em que a maioria das pessoas se limitam a arrastar-se pela vida, a sobreviver, viver verdadeiramente é coisa rara. A melhor maneira de viver a vida é, então, aproveitando-a. Tornando-a nossa. Amando-a. Vivendo-a.

 

“Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.” - Oscar Wilde

 

Pág. 1/2

Luísa

"No fundo, todos temos necessidade de dizer quem somos e o que é que estamos a fazer e a necessidade de deixar algo feito, porque esta vida não é eterna e deixar coisas feitas pode ser uma forma de eternidade." - José Saramago

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