Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Inspiration Lab

Um dia a não esquecer

 Quando criei este blog nunca pensei que fosse um dia escrever sobre um dia que tive. Mas a verdade é que nunca me quis limitar a um único tema e por isso nada me impede de escrever isto, por muito que não fosse o género de coisa que esperasse ver publicada neste meu cantinho. De qualquer maneira, é para isto que servem os blogs, não é? Para partilharmos as nossas experiências e vivências, para exprimirmos e organizarmos as palavras soltas que nos navegam pela mente?

 

Sempre pensei que era uma grande sortuda porque nunca me acontece nada. Tenho umas alergias e umas constipações chatas de vez em quando, sim, mas felizmente nunca tive nenhum problema de maior, que envolvesse acidentes, com direito a ossos partidos, luxações musculares e afins. Claro que tudo pode acontecer até ao mais cauteloso dos seres humanos, mas tenho vindo a reparar que uma das razões pelas quais tão pouco me acontece é porque tenho mesmo muito cuidado comigo própria, zelo pela minha integridade física. Não é que fique deitada na cama o dia todo, com medo de pôr o pé fora dela e de o torcer, não é que me prive de viver aventuras memoráveis. É só que evito abilidades desnecessárias, tenho cuidado com pisos molhados, etc. E como sou tanto assim, apesar de não ir interferir na vida de ninguém para avisar que estão a andar muito pela berma da estrada, custa-me ver como tantos são tão descuidados com o seu corpo, especialmente jovens e crianças.

 E toda esta introdução para dizer que hoje vi de tudo: Entorses, Nódoas negras, ossos partidos... Ora isto não seria novidade nem motivo de alarme se trabalhasse nas urgências do hospital ou coisa assim, mas não trabalho. Foi mesmo daqueles dias em que o chão parecia estar a amaldiçoado, que diabo! Maldita chuva torrencial, que faz as ruas parecerem autênticos lagos e os interiores ringues de patinagem! E eu admito que possa ser um bocado fria ou insensível por vezes (um claro mecanismo de defesa, bem sei), mas quando vejo alguém doente, sou logo a primeira a acudir. Quer em situações mais complicadas, quer encontre um garoto desorientado, sinto-me sempre na obrigação de largar tudo o que estou a fazer e ir dar uma mãozinha. Não é bom nem mau, não espero que ninguém me dê uma palmadinha nas costas sequer por isso, mas é como sou!

  E eu não pude deixar de ajudar, conhecesse ou não as pessoas em causa, lá estava eu a levar e trazer sacos de gelo, a carregar com enfermos às costas, a contar histórias mirabolantes para distrair meninos pequenos da dor... E eu podia estar aqui a escrever sobre o quão horrível o meu dia foi, com toda a legitimidade, porque acho que ninguém quer ver um conjunto vasto de quedas aparatosas com consequências graves acontecer mesmo à sua frente, sem poder fazer nada para as impedir. Mas não estou. Não me interpretem mal, não imaginem o que me custou ver uma amiga minha estendida numa cama a gemer e a contorcer-se com dores, tendo sido o mais complicado não adicionar a minha voz ao coro preocupado e tentar desdramatizar a situação, arrancando-lhe um sorriso que fosse. Mas isto de ajudar sem ser voluntária, de começar um dia normal e de o acabar já a receber sorrisos e acenos do pessoal do INEM, soube-me bem. Sim, sei que esta noite será diferente e não pela positiva para meia dúzia de famílias, seja ela passada em casa ou no hospital. Claro que tenho imensa pena de todos os que se magoaram, de todos os azarados, mas não posso deixar de retirar uma ótima lição desta experiência. Sentada à secretária, bem cansada mas muito feliz, não consigo deixar de ter a sensação de dever cumprido. Porque não sou médica, não entendo nada de entorses e fraturas e sei lá mais eu que mais, mas sei contar histórias e dizer umas baboseiras para tentar distrair quem sofre da dor.

 O objetivo deste post está longe de ser algo do género "olhem para mim sou tão boa, andei por aí a ajudar os outros", longe disso, e perdoem-me se é essa a ideia que faço passar, pois tudo o que queria era mesmo partilhar esta minha vivência convosco e, quem sabe, inspirar-vos para fazer algo de bom. Porque fazer uma boa ação não é só e apenas entrar num prédio em chamas para salvar uma criança pobre e indefesa, pode ser bem mais simples e descomplicado do que isso. Mas isso já é assunto para outro dia.

E vocês, que boa ação fizeram hoje?

 

Luísa

"No fundo, todos temos necessidade de dizer quem somos e o que é que estamos a fazer e a necessidade de deixar algo feito, porque esta vida não é eterna e deixar coisas feitas pode ser uma forma de eternidade." - José Saramago

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D