Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Inspiration Lab

Somos Enormes! Somos Campeões!

10 de julho. Um maravilhoso dia que certamente ficará para a História deste nosso belo país, começando com a vitória de várias atletas nos europeus de atletismo e terminando com a há tanto esperada vitória do EURO2016 pela seleção nacional de futebol.

O entusiasmo era difícil de controlar. Sentia-me confiante, mas algo em mim dizia-me para não alimentar muito as minhas esperanças. Algo em mim dizia-me que muito ainda podia correr mal. Parte de mim ainda não acreditava que tal feito pudesse ser possível.

À medida que as horas se foram passando e a hora do jogo se aproximava, o meu ritmo cardíaco acelerou, certamente coordenado com os tantos milhões de portugueses que, tal como eu, sofriam. Sofriam, sofríamos, porque sabíamos que estávamos bem perto de alcançar algo memorável, algo lindo. Mas sofríamos também porque sabíamos que nada estava ainda conquistado, que havia muito, imenso para lutar e que, depois de tantas renhidas disputas, depois de tantos objetivos que alcançámos contra todas as expetativas, poderíamos mais uma vez não conseguir ter esta tão importante taça em terreno nacional. 

Foram milhões os que pegaram nas camisolas, nos chapéus, nos cachecóis e se reuniram em casa de amigos, ou que foram para a rua, assistir a este histórico jogo num dos muitos ecrãs gigantes que por este país afora se montaram. Outros ainda, que não tinham a possibilidade de ser tão ativos neste apoio, prosseguiam com as suas tarefas, sempre com um olho na televisão mais próxima. Sempre a perguntar à primeira pessoa que viam se algum golo já tinha sido marcado. Sempre a sofrer. E fomos um só, durante aqueles 120 minutos que se jogaram. Unidos. Partilhámos sofrimentos. Partilhámos inquietações. Mas, felizmente, partilhámos também uma grande, uma ENORME felicidade.

Logo que o jogo começou fiquei com a impressão de que as coisas não iam ser nada fáceis. Não me pareceu que estivéssemos a dominar o jogo. Ora eu não entendo lá muito de futebol, mas tal coisa não me pareceu lá muito animadora. As ansiedades aumentaram.

Mas o que me fez começar a preparar para uma possível e mais provável derrota foi a lesão do Cristiano. Não sou daqueles que acredita que a nossa seleção nada é sem o seu Capitão. Mas não estávamos preparados para a sua saída e a equipa ficou bastante desorientada. O mundo parou para se comover com aquelas lágrimas. Ainda não entendo como é que alguém pode sequer insinuar que aquela queda foi exagerada, que a saída era desnecessária. O coração de milhões de portugueses partiu-se ao ver o nosso Capitão deixar-se cair no chão, exausto pelo esforço e pelo sofrimento. Ele tentou. Várias vezes até. Dava para ver em cada pequena expressão do seu rosto que o que mais desejava era poder participar na luta pela taça até ao apito final. Deu para ver pela emocionada forma como entregou a braçadeira de capitão ao Nani que tudo ele daria para continuar a usá-la até ao termo dos 90. Dos 120. Dos penaltis se fossemos até aí. Mas às vezes os imprevistos acontecem. Às vezes o inesperado surpreende-nos. E este menino que muito sonha teve que abandonar o campo. E os nossos 11, agora com Quaresma, lutaram. Lutaram porque queriam honrar o Cristiano. Lutaram porque queriam mostrar-lhe que, mesmo sem ele, eram capazes de vencer. Lutaram porque queriam dedicar esta vitória ao seu Capitão. Capitão este que, logo que conseguiu andar, mesmo muito magoado, se foi juntar a Fernando Santos e se tornou o seu novo adjunto. Foi incansável, este menino, andando de um lado para o outro, motivando os seus colegas, incitando-os a não parar. 

E foi então que, já em pleno período de prolongamento, tal como o Capitão tinha previsto, foi Éder a dar-nos o golo da vitória. Sim, Éder. O patinho feio da equipa. Aquele em que ninguém acreditava. Aquele cuja convocação foi posta em causa. E, se existem criaturas para lá do nosso mundo, por aí no Universo, não deve ter havido uma que não tenha ouvido os nossos berros. Acredito que a Terra tenha tremido com os nossos saltos. Abraços a quem não conhecemos. Uma felicidade sem comparação e sem fim. Uma felicidade que não se explica, mas que se sente com uma inigualável intensidade. Uma felicidade que ultrapassa barreiras, que contagia mesmo quem não tem razões para a partilhar.

E seguiram-se então os 10 minutos mais longos da vida de muitos, em que rezávamos que o resultado se mantivesse. 10 minutos em que rezávamos ao nosso São Patrício, que em muitas situações no valeu, em conjunto com os nossos incansáveis defesas, que não deixasse entrar nenhuma. Que ajudasse a levar-nos à vitória. E não foi graças a ninguém, foi graças a todos, que vencemos. Conseguimos. 

Acredito que Portugal tenha afundado ligeiramente com tanto salto que se deu. Ver os nossos meninos vingar 2004 foi a melhor coisa que nos poderia ter acontecido. Finalmente o nosso Capitão chorou as lágrimas que todos os portugueses o queriam ver chorar. A nação chorou com ele. Vimo-los felizes como nunca, erguendo a tão merecida taça bem alto. Erguendo os portugueses bem alto. Levando a nossa glória pelos quatro cantos deste mundo. Saímos então à rua, e festejámos até à força nas pernas nos faltar. Até as vozes terem sumido de tanto cantar. Porque durante algumas horas, o país parou. Porque esta vitória é deles, mas também é nossa. É de todos. E não foram só os portugueses a festejar. Muitos dos que por este belo país pelas mais variadas razões já foram conquistados, juntaram-se a nós, integrando-se na festa. 

A festa dos nojentos. A festa dos que jogam feio. A festa dos que não mereciam passar dos quartos de final. Mas, curiosamente, a festa dos humildes Campeões da Europa.

E agora o país espera pelos que em breve serão Comendadores. Pelos nossos heróis. Pela tão merecida taça. Pela festa que já há 12 anos devíamos ter feito. Esta festa de dia 11 que o nosso comandante prometeu.

Fomos grandes. Fomos ENORMES. Mostrámos a todos aqueles que em nós se recusavam a acreditar que conseguimos. Que tudo é possível. Que quando a vontade é grande, a humildade enorme, o trabalho esforçado e os sonhos chegam ao céu, tudo é possível. 

Obrigada, Mister. Obrigada, 23 lutadores. Obrigada, equipa técnica. Obrigada, emigrantes que fizeram os portugueses sentir-se em casa. Obrigada a todos aqueles que acreditaram. Obrigada, Portugal!

O céu é o limite. Que orgulho de ser Portuguesa. Que orgulho na minha nação! SOMOS ENORMES! SOMOS CAMPEÕES!

 

 

 

Luísa

"No fundo, todos temos necessidade de dizer quem somos e o que é que estamos a fazer e a necessidade de deixar algo feito, porque esta vida não é eterna e deixar coisas feitas pode ser uma forma de eternidade." - José Saramago

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D