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Inspiration Lab

Só desgraças.

Dou voltas e voltas à minha cabeça e simplesmente não consigo entender. Por mais que tente, é-me impossível descortinar o porquê de algumas pessoas pensarem que a melhor forma de resolver conflitos é através da violência. O porquê de algumas pessoas terem uma aparente enorme dificuldade de discutir pacificamente, de exprimir as suas ideias de forma ordeira e respeitosa sem comprometer a integridade física de outro indivíduo.

Como é que ainda há pessoas a acreditar que a violência resolve conflitos?

Eu digo-vos o que é que a violência faz: A violência planta a discórdia, os problemas, os conflitos. A violência fere pessoas, mata gente. E mata o dobro da gente do que se pensa matar.

Sim, porque quem é capaz de pressionar um gatilho, tendo a plena noção que a sua ação irá matar uma ou mais pessoas, para além de ter graves problemas mentais é alguém morto. Se já estava ou se ficou no momento em que teve este deplorável e repugnante ato, isso não sei. Mas o que sei é que é impossível viver-se sabendo que se matou alguém. Sabendo que um dia uma mãe esperava pelo seu filho, um homem esperava pela sua esposa, e em vez da sua pessoa amada apareceu alguém anunciando que um badameco qualquer cruelmente lhe retirou o direito de viver. Estas pessoas que matam, que violam, que ferem podem continuar com o coração a bater e o cérebro a funcionar, não digo que não, mas nunca, jamais, em tempo algum voltarão a estar vivas. Disso eu tenho a certeza. Podem sobreviver. Podem arrastar-se pela vida sem rumo certo. Mas viver? Nunca mais.

E o pior de tudo é que para falar da violência já não temos que trazer de volta o tão badalado assunto da guerra! Claro que a guerra é condenável e terrível, mas o que acontece nas ruas hoje em dia ainda me perturba mais, porque instala a instabilidade e desconfiança entre as pessoas de uma maneira assustadoramente intensa e rápida. 

É que pelo menos na guerra a maior parte das vezes há duas frentes a lutar. Mas noutras situações, como o terrível assassinato da maravilhosa Christina Grimmie, uma simples rapariga que estava na sua vidinha a dar uma sessão de autógrafos? Que meios tinha ela para se defender? Em que guerra estava ela envolvida?

Se formos a pensar afundo nesta situação, torna-se mesmo aterrador. Conseguem imaginar o que é viver com medo de estar calmamente a caminhar na rua e ser abalroado por um doente qualquer que nos tira a vida numa questão de segundos?

E se isto mete medo a quem está neste pequeno paraíso à beira mar plantado, imaginemos quem se encontra no centro de todas estas desgraças!

Sei que pouco podemos fazer. Adoraria fazer algo para parar isto, ou pelo menos para diminuir danos, mas o quê? Sei que muitos de nós nada pode fazer. Mas o que podemos fazer, sim, é manter-nos informados e garantir que mantemos uma opinião crítica, informada e atualizada de todas estas atrocidades que diariamente acontecem (sim, porque muitas delas nem aparecem nas notícias) porque mantermo-nos na ignorância, armarmo-nos em Pilatos só porque não aconteceu no nosso país ou a alguém que conhcessemos é uma atitude passiva. E atitudes passivas são o tipo de coisa que não podemos ter numa crítica altura destas.

 

Luísa

"No fundo, todos temos necessidade de dizer quem somos e o que é que estamos a fazer e a necessidade de deixar algo feito, porque esta vida não é eterna e deixar coisas feitas pode ser uma forma de eternidade." - José Saramago

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