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Inspiration Lab

queres dançar comigo?

Eu não sou princesa de vestidos de baile e saltos altos. Eu sou aventureira, de sapatilhas e calças rasgadas. Gosto de dançar até já não me aguentar nos pés. Gosto de rir até deixar de sentir. Gosto de pessoas, gosto de momentos que me fazem sentir viva. Gosto de ver quem mais amo a sorrir. A rir. Gosto de ver o sol nascer deitada na areia arrefecida pelas trevas. Gosto de abraços intermináveis. Gosto de corridas, de aventuras, de desafios. Gosto de gente que não receia admitir que é apenas isso, apenas gente. Gosto de gente que ama, gente que vive, gente que não receia a vida. Gosto de ti.
Não sou uma só pessoa. Sou milhares delas. Milhares de pequenas pessoas, pequenas pessoas com as suas necessidades, vontades e opiniões habitam dentro de mim. Talvez seja isso que me torna tão inconstante. Nada em mim é preto no branco. Na minha essência existem muitas transparências, muitos cinzentos, muitos arco-íris. Sou rapariga complicada. Impressiono-me com tudo, enervo-me por nada. Amo a vida, mas nem sempre me apetece viver. Domino a corrida, mas nem sempre quero correr. A minha demanda não é em linha reta. O meu caminho é um louco conjunto de montanhas russas, de íngremes montanhas, de infindáveis desafios. Sei muito de pouco e pouco de muito. Visto-me como ninguém se veste, ouço a música que ninguém ouve, falo como ninguém fala, amo como ninguém ama, vivo como ninguém vive. E sou feliz assim. Prefiro o silêncio às palavras ocas de quem nada tem para dizer mas que se limita a falar só porque sim. Só para não se calar. Não gosto de falar sobre o tempo. Não gosto de conversas de conveniência. A vida é demasiado curta para conversas que não nos levam a lado nenhum! Quero sentar-me com a cabeça sobre o teu peito e discutir os assuntos que todos parecem ter medo de discutir, ao ritmo do teu coração. Quero ouvir para aprender e não para responder. Quero ser quem sou, quero lixar-me para o que os outros pensam que sou. Quero viver a vida à minha maneira, quero abraçar esta gloriosa confusão que sou. Caramba! A vida são dois dias, e eu não quero passá-los a sofrer por quem não me compreende nem quer compreender! Não quero passá-los a lamentar-me por quem não sou nem nunca poderei ser! Por mim, a vida podia ser apenas meio dia. Se esse meio dia fosse bem aproveitado, nada ficaria por fazer.
Nem todos podem lidar com quem eu sou. Nem todos aceitam o que significo. Já perdi a conta das vezes em que fui mastigada e cuspida, tipo pastilha elástica, por não ser quem esperavam que fosse. A vida já me tramou muitas vezes, sabes? Já me pregou inúmeras partidas. Talvez um dia já tenha sido uma obra de arte. Mas agora estou remendada. Estou partida. Para muitos, estou estragada. Mas estragada porquê, exatamente? Porque vivi? Porque fui à luta e nem sempre venci? Porque tenho cicatrizes que todos os dias me relembram de que tentei, de que sou uma lutadora, de que não baixo as minhas armas ao avistar o primeiro obstáculo? É isso que é estar estragado? Se é, então estou estragada, bem estragada, e com orgulho!
Não sou princesa delicada. Mas também não quero ser. Porque as princesas delicadas fogem dos bailes logo que soam as doze badaladas, e eu gosto de dançar até ao amanhecer. Queres dançar comigo?

Luísa

"No fundo, todos temos necessidade de dizer quem somos e o que é que estamos a fazer e a necessidade de deixar algo feito, porque esta vida não é eterna e deixar coisas feitas pode ser uma forma de eternidade." - José Saramago

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