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Inspiration Lab

Os alunos com boas notas também têm dificuldades

Tenho boas notas. Até à data, sempre tive boas notas. Nem sempre atinjo a nota máxima, ocasionalmente tenho o meu deslize mas, de maneira geral e excluindo áreas como desporto e artes, tenho boas notas. E não digo isto para me gabar. Aliás, contam-se pelos dedos das mãos as vezes na minha vida em que pronunciei esta frase, por ter medo de ser mal interpretada, mas é um facto. Não é tão frequente assim um colega meu congratular-me por uma conquista, por uma nota satisfatória, pois segundo a maioria "é o costume" e "para mim é fácil". Talvez para alguns seja assim. Talvez para alguns seja fácil. Mas para mim não. As minhas notas não caem do céu. Não digo todas, mas uma esmagadora maioria delas são bem suadas. As minhas notas provêm de estudo, são conseguidas com trabalho. 

Tenho, claro, noção que nem todos os que trabalham obtêm bons resultados. Sei bem, também, que há muitos que nem abrem um livro e conseguem alcançar resultados espetaculares. Sei que cada pessoa é uma pessoa, cada caso é um caso. 

No entanto, como alguém cuja vida académica nem corre nada mal, não consigo de deixar de sentir que há uma (erradíssima) ideia de que para os bons alunos é tudo simples. Os bons alunos não estudam. Os bons alunos acham-se melhores do que os outros. Ora isto, na maioria dos casos, é uma grande mentira.

É óbvio que os alunos com dificuldades de aprendizagem devem ser apoiados da melhor maneira possível. É evidente que se deve pensar e colocar em prática formas de auxiliar os alunos, de melhorar o seu aproveitamento escolar. Está claro que muitos alunos que não alcançam os resultados por eles desejados passam por muitos problemas. São discriminados. Insultados. Gozados. Felizmente, isto não acontece com todos, mas ocorre com muitos. Com demasiados.

Mas então e os alunos com algumas facilidades de aprendizagem? Então e os alunos que alcançam os resultados por eles desejados? Será que tudo é assim tão mais fácil para eles? Porque é que aqueles que até se safam, ou aqueles que são claramente geniais ou brilhantes são ostracizados? Porque é que muitos assumem imediatamente que um aluno com bons resultados é um aluno gabarolas, um aluno convencido, um aluno cheio de si próprio? Porque é que nos esforçamos tanto para que um 'mau aluno' não se sinta mal com quem é mas passamos a vida a rebaixar quem atinge bons resultados?

É óbvio que, criticando, excluindo e punindo quem consegue tirar melhor partido das suas capacidades se desencoraja as pessoas a prosseguir. É claro que após algum tempo sentindo-se mal na própria pele por compreender conteúdos com mais facilidade e rapidez do que outros, o aluno começa a ter vontade de desistir das suas capacidades. De desistir de si. Começa, sim, muitas vezes, a esforçar-se para ser como os outros, como se ser acima da média fosse algo mau, como se merecesse ser castigado.

Em suma, o importante é que haja equilíbrio. Respeito pela individualidade de cada um. É imperativo que haja igualdade. É mais fácil julgar, pôr de lado, gozar, ser preconceituoso do que compreender, ajudar, apoiar. Mas nem sempre o que é mais fácil é o mais correto.

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Luísa

"No fundo, todos temos necessidade de dizer quem somos e o que é que estamos a fazer e a necessidade de deixar algo feito, porque esta vida não é eterna e deixar coisas feitas pode ser uma forma de eternidade." - José Saramago

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