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Inspiration Lab

Orgulho Lusitano.

Já há muito que passaram os tempos em que o povo lusitano era conhecido pelas suas destemidas batalhas. Pelas suas infindáveis conquistas. Pela sua inigualável coragem. Já estão bem distantes os tempos em que o povo português por todos era admirado e respeitado. Mas isto não quer dizer que desde esses tempos o nosso valor tenha diminuído. Não quer dizer que, lá por não passarmos pelas épocas de maior riqueza da nossa História, sejamos menos merecedores do respeito alheio. Porque a nossa glória é infinita. Não terminou quando já não existiam mais mares nunca antes navegados para explorar.
Somos grandes porque temos o vinho, o calçado, a cortiça. Somos grandes porque temos as paisagens e as espécies únicas. Somos grandes pelo clima convidativo e as belas praias. Somos grandes pela Amália, pelo Eusébio, pelo Camões e por muitos, por imensos outros que, mais do que aumentarem o valor da nossa nação, garantiram e provaram tudo o que ela já valia perante aqueles que se recusam a acreditar. Perante aqueles que cegamente nos criticam, só pela maldade de criticar.
Porque um povo é mais do que a quantidade de ouro acumulado nos seus cofres. Porque quando tantas outras coisas tão mais importantes possuímos, as nossas riquezas (ou a ausência delas) são algo secundário.
Mais do que tudo, o que melhor nos define são as coisas simples. Básicas. As pequenas coisas do dia a dia que frequentemente passam ao lado de quem durante toda a sua vida morou neste pequeno paraíso à beira mar plantado, por a elas já estar tão habituado. Mas são coisas que marcam. Que fascinam. De que, se pararmos cinco minutos para pensar, todos nos conseguimos lembrar. São aquelas pequeninas coisas que deixam imensas saudades, nem que estejamos apenas por um fim de semana na vizinha ibérica.
São so gritos das peixeiras logo de manhãzinha nas pequenas aldeias e vilas piscatórias. É o "Ó vizinha, emprestava-me um ovo?" que dá numa aula de culinária e num convite para jantar no dia seguinte. É o "Queria? Já não quer?" em resposta ao tão típico "Queria um café, se faz favor." São as minis e os tremoços em volta da televisão quando joga o Benfica. É o "Dava-me uma mãozinha com estas caixas, por favor?" que origina uma duradoura amizade. São as bandeiras à janela em alturas de Europeus e Mundiais. São os miúdos vestidos a rigor com o equipamento do CR7. São os taxistas que também são contadores de histórias. São os abraços a desconhecidos quando Portugal marca golo. São os impropérios, alguns deles tantas vezes proferidos que até já constam no dicionário. São os arraiais, as festarolas, os Santos Populares. São os deliciosos e imensos pratos tradicionais. É o fado. É tudo isto e muito, muito mais. É união. É Portugal.
E é por isso que, mesmo quando não estamos a ganhar Europeus, mesmo quando não estamos a descobrir o desconhecido, mesmo quando não estamos nas bocas do mundo por alguma razão entusiasmante e espetacular, o orgulho que tenho pela minha pátria é imenso. Porque ser português é levar o patriotismo a um nível que não se explica. Não se explica mas se sente de uma forma tão intensa que é impossível esquecer ou ignorar. Uns muito mais do que outros, é certo, mas acredito que no coração de todo e qualquer português existe orgulho pela sua nação. E o orgulho por este país é partilhado também por muitos que não têm nacionalidade portuguesa mas têm Portugal no coração.
Podem criticar. Podem gozar. Podem tentar diminuir-nos enquanto pessoas, enquanto nação. Mas isso não nos deve afetar. Porque estamos juntos. Porque sentimos o que eles não sentem. Porque o nosso coração enche-se de orgulho lusitano, mesmo quando não são muitas as razões para isso acontecer, e esse orgulho é imortal e inabalável. Esse orgulho resistiu durante vários séculos, e por muitos mais resistirá, acredito.

Luísa

"No fundo, todos temos necessidade de dizer quem somos e o que é que estamos a fazer e a necessidade de deixar algo feito, porque esta vida não é eterna e deixar coisas feitas pode ser uma forma de eternidade." - José Saramago

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