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Inspiration Lab

Novo Eu

Eram os meus ossos jaulas que reduziam a mero desejo a minha feroz vontade de me libertar. Era a minha própria pele um colete de forças, que impedia a minha alma de dançar. Eram os meus lábios as pesadas portas do palácio da minha essência, que fechavam de cada vez que a verdade em mim estava pronta para cantar. Era traiçoeira a minha vivência que, de tão curta, não sabia como me aconselhar. Era eu tão confusa menina, em busca do que em quem julgava ser nunca iria encontrar. Era eu quem nunca fora mas quem nunca mais desejara ser. E estava na altura de escolher. Escolher entre quem era e quem, com muita esperança, vontade e uma boa dose de mentira podia vir a ser. Escolher entre quem nascera de quem vida à minha vida dera e entre a menina que dessa vida que se formara não tardara a nascer. Era a escolha entre o bonito e o verdadeiro. Era o ultrapassar dos limites que quem me rodeava impusera. Era o quebrar das jaulas. O libertar dos coletes de forças. O escancarar das há tanto seladas portas. Era eu.
Vim então a descobrir que não basta sermos quem nascemos para ser para sermos felizes. Que quanto mais conquistamos mais ambicionamos conquistar. Que fui feita para por mim lutar. Que o quebrar das correntes que há tanto me aprisionavam era só o início de algo que seria tão belo quanto belo eu o fizesse. Que eu podia chegar até onde eu quisesse.
Eu sei que a vida não é campo florido, que o passado jamais será esquecido, mas nunca é tarde para deixar que algo há muito adormecido torne a em nós despontar. Sei que é tolice darmo-nos por perdidos, só porque determinou o nosso destino que mais teríamos de lutar para que nos pudéssemos encontrar. Sei que é tolice sermos quem não somos, ir aonde nunca fomos, só porque quem não sabe quem somos de uma certa maneira nos quer ver ser. Sei que a vida que ainda hoje escrevo nunca será tal qual como a idealizei. Mas sei que sou a menina corajosa, sonhadora, incansável, esperançosa com que tanto sonhei. Sei que sou quem sei que sou.
E cá vou eu, mais um passo em direção ao desconhecido. Cá vou eu, procurando o meu sentido. Cá vou eu, a menina que tudo perdeu. Cá vou eu, em busca do meu novo eu.

Luísa

"No fundo, todos temos necessidade de dizer quem somos e o que é que estamos a fazer e a necessidade de deixar algo feito, porque esta vida não é eterna e deixar coisas feitas pode ser uma forma de eternidade." - José Saramago

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