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Inspiration Lab

Musicalidade: (Sobre)Viver sem Ti

No post de hoje de 'Musicalidade' (espaço em que me inspiro numa música para escrever qualquer coisinha) inspirei-me na música 'Heaven' da Carolina Deslandes e este foi o resultado. Espero que gostem!

 

Esta noite a solidão engole-me. Esta noite o silêncio que tomou o lugar das tuas suaves palavras encorajadoras sufoca-me. Esta noite as lágrimas que tantas vezes me ajudaste a conter são libertadas. Esta noite é gélida, porque o teu abraço já não me aquece. Esta noite estou mais longe dos meus sonhos, porque não estás cá para me ajudar a concretizá-los. Nesta noite é difícil respirar, pois o ar falta-me de cada vez que a tua permanente ausência ocupa a minha mente. Nesta noite vejo a parte de mim que a ti pertencia lentamente a abandonar-me, e nada consigo fazer para impedir que ela morra. Nesta noite sobreviver sem ti parece impossível, porque sempre projetei o meu futuro segurando a tua mão.

Sem o teu olhar sonhador que as minhas esperanças alimenta, sem a tua mão a entrelaçar-se na minha, não sou mais o ser forte que me ensinaste a ser. Sem ti ao meu lado não sou a jovem lutadora que sempre quiseste que fosse. Sem ti, sou apenas alguém com demasiadas preocupações num mundo onde ninguém parece querer saber. Sem ti, sou apenas uma entusiasta contadora de histórias sem ninguém com quem partilhar as minhas paixões. Sem ti, sou apenas alguém desesperado por atenção num lugar de gente ocupada e sem tempo a perder. 

Preciso de ti mais do que nunca, preciso de ti mais do que gostaria de admitir. Mas tu partiste. Partiste e nunca mais voltarás. Não sei onde estás. Mas espero que estejas bem. E espero que, onde quer que estejas, nunca te esqueças de mim. Porque o meu maior medo é esquecer-te. É esquecer-me. Porque agora é fácil imaginar que ainda aqui estás, com o teu cheiro dançando em meu redor, mas e quando todos os vestígios de ti derem sumiço? Conseguirei eu não esquecer como sempre foste quem calava os meus medos e as minhas inseguranças? Conseguirei eu não esquecer que foi ao teu lado que travei as maiores batalhas, que alcancei as melhores conquistas? Conseguirei eu esquecer o vazio que sinto, agora que não estás cá para o preencher?

Sinto-me a quebrar e é a ti que quero recorrer, mas onde vou se nem sei onde estás? Onde vou se não sei se me ouves? Onde vou se nem sei se quero ir? Porque é que não me levaste comigo para onde foste? Porque é que me deixaste sozinha neste gélido mundo que não estava preparado para te ver partir? 

Resta-me acreditar, quando nada mais tenho a que me agarrar. Resta-me acreditar que essa estrela que vejo da minha janela, que juraria ontem não lá estar, és tu. E que olhas por mim. E que, mesmo que não o consiga sentir, continuarás a segurar firmemente a minha mão, dando-me força para travar as minhas batalhas. Resta-me esperar que me protejas de ser consumida pela saudade que de momento me assola e que não me parece querer dar tréguas. Resta-me esperar que ouças este meu brado por ti. Resta-me esperar que consiga encontrar no pouco de ti que em mim resta força para continuar.

 

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Luísa

"No fundo, todos temos necessidade de dizer quem somos e o que é que estamos a fazer e a necessidade de deixar algo feito, porque esta vida não é eterna e deixar coisas feitas pode ser uma forma de eternidade." - José Saramago

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