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Inspiration Lab

Musicalidade: Memórias

Hoje em 'Musicalidade' inspirei-me na música 'All Too Well' da Taylor Swift, que adoro. Espero sinceramente que gostem!

 

As frias noites sem ti são já um hábito. À solidão mal escondida já me habituei. Porque à luz do dia emoções que não sinto são fáceis de fingir, mas quando a escuridão me engole e as recordações tomam conta de mim é complicado prosseguir com o espetáculo de aparências no qual pareço empenhada em participar.
Porque nunca ouvi um "estou bem" mais falso do que o que tantas vezes da minha boca sai. Porque não consigo aceitar que não aceito que a magia que julgava imortal tenha desaparecido sem qualquer rasto deixar. Porque é fácil demais acordar dos meus sonhos que não são mais que recordações do passado e esperar que ainda faças parte da minha vida. Parte de mim.
Porque apagaste o meu passado, tomaste conta do meu presente, e projetaste o meu futuro a teu lado, para depois tudo destruíres com a tua inacreditável crueldade sob a badalada desculpa de seres sincero.
Com o tempo, vou entendendo que todas as memórias que, sem serem requisitadas, me assolam a mente nos mais inconvenientes momentos são simplesmente uma reflexão do que queria, do que esperava que o meu futuro, o meu presente agora sem ti fossem. Vou entendendo que daria tudo para mais um longo passeio repleto de conversas cheias de significado contigo. Por mais uma aventura sem destino. Por ouvir mais uma vez a tua risada que de todos os problemas me livrava. Mas estes são desejos proibidos, porque sei. Sei que depois de todos esses momentos maravilhosos que não consigo esquecer sempre vêm os terríveis, dos quais vou conseguindo não me recordar. Os momentos em que corria desesperada no escuro, mais assustada do que alguma vez na minha vida tinha estado, só querendo correr para quem me fazia fugir.
Como se fosse algo com prazo de validade. Como se estivéssemos condenados desde o princípio.
Talvez nos tenhamos perdido a meio do caminho. Talvez a vontade não fosse suficiente para prosseguir com a nossa luta. Talvez nos tenhamos visto como um conto de fadas quando não éramos mais do que um par de linhas rasuradas e passadas à frente numa outra grande história que ainda não descobrimos. Talvez tenhamos deixado que as nossas dúvidas, as nossas incertezas e as nossas ansiedades tomassem as rédeas da nossa vida. Talvez até estivéssemos num bom caminho até que decidiste que eras melhor. Melhor do que eu. Superior a nós.
Mais do que em qualquer outra altura, quero que o tempo voe. Quero encontrar o meu eu que vive sem o teu tu. Mas não quero ter que procurá-lo. Porque para o procurar terei que encontrar-me com coisas que jurei que nunca mais veria e deixar ir outras que pensei que sempre me acompanhariam. E isso parece demais. Mas talvez seja capaz, quem sabe. A vida nunca pára de nos surpreender. Nunca pensei que, enquanto sonhava com os teus encantos, um dia teria pesadelos com eles. Enquanto te escrevia os meus melhores poemas, nunca imaginei que mais tarde os destruiria. Por muito que agora jure o contrário, talvez um dia serei capaz de encontrar quem era antes de ti. Quando tinha várias outras razões de viver. Antes de tudo em mim teres monopolizado. Mas quero essa parte de mim sabendo o que sei hoje. Essa parte de mim menos inocente do que fui antes de ti.
Interessante que regresses agora, tanto tempo passado, finalmente entendendo o que perdeste. Que perdeste o único alguém que verdadeiramente amaste. Pena que tenha que te desmentir. Pena que tenha de te relembrar que não sou o alvo desse amor que juras ainda dentro de ti residir. Pena que te tenha de relembrar que é pelas memórias que esse amor sentes, e não por quem sou.
Mas nada posso fazer contigo. Connosco. Nada posso fazer com alguém que vive num eterno construir e destruir. Rezo agora para me esquecer de ti durante tempo suficiente para me esquecer porque alguma vez necessitei de ti. Porque alguma vez foste tudo o que eu era, tudo o que eu queria, tudo o que eu tinha. E talvez assim me poderei encontrar.

Luísa

"No fundo, todos temos necessidade de dizer quem somos e o que é que estamos a fazer e a necessidade de deixar algo feito, porque esta vida não é eterna e deixar coisas feitas pode ser uma forma de eternidade." - José Saramago

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