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Inspiration Lab

Linhas

O que eu mais adoro na maioria das histórias? A forma como as intenções das personagens parecem estar desde o início tão bem definidas fascina-me. Há os bons e há os maus. Há aqueles que só causam problemas ao protagonista e há aqueles que existem para arranjar soluções. E há, claro, aqueles que existem para dar forma ao mundo que dentro daquelas páginas existem, sem terem uma especial importância para o enredo. Num mundo de indecisões e dificuldades, recheado de falsidades e segundas intenções, é bom mergulhar noutros mundos onde tudo é bem mais claro, onde o desconhecido parece menos aterrador.
O que mais detesto na maioria das histórias? A forma como as intenções das personagens parecem estar desde o início tão bem definidas incomoda-me. É tão fácil, na maioria das histórias, identificar os heróis e os vilões. É tão fácil que, por vezes, faz identificar quem tem boas intenções para connosco ou para com os nossos parecer fácil. E distinguir os benfeitores daqueles que vivem para nos infernizar nem sempre é simples. Por vezes, a linha que separa os "bons" dos "maus" é tão ténue que quase não se vê, chegando até a nem existir. Bem mais frequentemente do que seria desejável, aqueles que nos ajudaram prejudicam-nos mais tarde. Aqueles que antes considerávamos indesejáveis na nossa vida acabam por nos apoiar, deixando-nos confusos. Deixando-nos inseguros. Deixando-nos perdidos.
Nos livros que me liam, ainda eu não sabia o quão maravilhoso era conseguir entender as mensagens que aqueles desenhos pequeninos e regulares transmitiam, por vezes era possível identificar os "bons" e os "maus" da história apenas olhando para o título ou para as ilustrações na capa. No entanto, à medida que fui crescendo, à medida que as lombadas dos livros que lia iam engrossando, à medida que as letras iam ficando mais pequenas, à medida que os enredos se tornavam mais complexos, também começou a ser cada vez mais difícil identificar quem era amigo das personagens principais e quem a elas se opunha. Talvez isto aconteça por mero acaso. Ou, talvez, e acredito mais nesta teoria, isto aconteça porque também nós, à medida que envelhecemos, temos mais dificuldades em escolher os nossos amigos e definir os nossos inimigos. Porque, à medida que somamos primaveras, as pessoas à nossa volta ficam mais dissimuladas, mais falsas, mais discretas na sua forma de ser bondosas ou maldosas.
O que mais detesto e adoro nas histórias é, também, o que mais detesto e adoro na vida: O facto de o bem e o mal andarem entrelaçados, de tanto nos confundirem, de serem tudo menos evidentes. Porque se, por um lado, isso faz com que a nossa vida seja bem mais real, menos óbvia, menos previsível, por outro, a subjetividade do bem e do mal é a razão do fim de muitas gargalhadas, de muitos bons momentos, de muitos amores, de muitas amizades e de muitas vidas.

Luísa

"No fundo, todos temos necessidade de dizer quem somos e o que é que estamos a fazer e a necessidade de deixar algo feito, porque esta vida não é eterna e deixar coisas feitas pode ser uma forma de eternidade." - José Saramago

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