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Inspiration Lab

Gente Especial

Um único olhar à sua volta foi o suficiente para transformar o seu receio em ardente curiosidade. Em vontade de descobrir que cores compunham as almas das pessoas em seu redor. Tanta gente. Tantas fascinantes histórias, memoráveis batalhas, falhanços, épicas glórias. Tantas vidas para descobrir, tantas novas ideias para conhecer. Onde muitos viam apenas pessoas, esses seres que aos milhões neste mundo se acumulam, ela via bem mais. Via inspirações, via magia. Via uma oportunidade de crescer, de ser mais e melhor aprendendo com aqueles que junto a si se encontravam. Aqueles que um dia talvez pudesse vir a orgulhar-se de conhecer.
Mas, para tão fascinantes percursos alheios conhecer, sabia que teria também de dar a conhecer um pouco dos seus. E, enquanto ela se sentia fascinada com a ideia de descobrir nova gente, nada mais a aterrava do que ter que se dar a descobrir aos outros. Decidiu batalhar essa sua curiosidade, então, matando a vontade de outros conhecer, pela simples razão de ter medo de dar demasiado de si, de algo em si perder.
Mas para uma curiosa como ela, para uma perseguidora de histórias, construir tais muros entre ela e os outros quando ainda não sabia o que tinham para oferecer era tortura. Então, ela iniciou a batalha de auxiliar os outros a destruir os muros que tão cuidadosamente edificara à sua volta. Corria o risco de se magoar, está certo, mas correr riscos é indispensável, se é o melhor da vida que desejamos provar. Quando finalmente se começou a dar aos fascinantes seres que a rodeavam, já nada ela temia. Não porque se tivesse esquecido dos riscos que corria, mas porque estava imensamente cativada por aqueles que a tinham convencido a baixar os seus escudos, proeza que poucos conseguiam realizar.
Começou, então, lentamente a ouvir as histórias que cada uma tinha a contar, conhecendo-as melhor a cada frase da sua narrativa. E, quase sem reparar, à medida que escutava as aventuras que tinham vivido, partilhava também algumas das dela. Enquanto recebia um pedacinho das outras, dava também um pedaço de si. E, lentamente, as suas cores foram-se misturando, as suas almas juntas foram dançando, novas memoráveis histórias foram criando. A pouco e pouco, ela foi descobrindo que não necessitava de estar sozinha. Que a vida se torna uma demanda bem mais fácil quando ao nosso lado temos pessoas que, para além de nos ajudarem a matar os monstros que nos perseguem, a conquistar castelos e a salvar príncipes e princesas, ainda nos arrancam boas gargalhadas pelo meio.
Entendeu, então, melhor do que nunca o inestimável significado das conversas profundas, das horas a falar sobre coisas sem sentido, das mensagens à socapa trocadas pela noite dentro, das gargalhadas com o poder de curar todos os males e sarar todas as feridas, dos desabafos, dos consolos. Entendeu o valor de ter a quem recorrer quando queria falar sobre tudo e sobre nada. Entendeu o valor da gente tão especial que à sua volta tinha. Entendeu o valor da amizade tão especial que com elas mantinha. Entendeu o valor que ela própria tinha.
Passo a passo, gargalhada a gargalhada, momento inesquecível após momento inesquecível, caminham juntas em direção a quem desejam ser, ao futuro que desejam ter.

Luísa

"No fundo, todos temos necessidade de dizer quem somos e o que é que estamos a fazer e a necessidade de deixar algo feito, porque esta vida não é eterna e deixar coisas feitas pode ser uma forma de eternidade." - José Saramago

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