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Inspiration Lab

E se?

E se tudo for em vão? E se ao fim de anos passados, palavras trocadas, rugas e quilos adicionados, num olhar para trás a vida não for nada mais que um clarão?
E se olhar para trás e compreender que nada do que fiz teve efeito, que todas as tentativas foram falhadas, que todos os sonhos cuidadosamente planeados foram abandonados? E se quando já nada puder ser feito descubra que ainda há muito para fazer?
E se der por mim a caminhar sem rumo, sem saber para onde vou, para onde quero ir, porque caminho, porque quero continuar?
E se por entre milhões de palavras não conseguir encontrar um significado?
E se descobrir que todas as palavras foram ocas, proferidas sem sentido, em vão?
E se não tiver coragem e abandonar todas as minhas lutas?
E se todos aqueles que me apontaram o dedo por tentar demais, por seguir por caminhos difíceis e abraçar demandas inglórias me critiquem por ter desistido?
E se olhar ao espelho um dia e não souber quem sou, porque sou?
E se sentir que o chão que me segura os pés já não devesse segurar?
E se partir sem conseguir fazer feliz quem outrora desiludi?
E se me for sem pintar todos os cantos da vida com a cor do meu sorriso?
E se desaparecer sem saber de cor o caminho para o lugar onde tudo se resolve, onde o sol brilha mais intensamente, o céu é mais azul, os dias mais longos e as noites menos duras?
E se for engolida pelas trevas, antes de compreender o que é estar na quente luz do dia?
E se quando entender os caminhos que me engolem e desencaminham for tarde de mais para voltar a trás e remediar tudo o que de mal fiz?
E se a esperança morrer dentro de mim?
E se falhar?
E se todos descobrirem o fracasso que sou, a tristeza que me engole?
E se todos os muros que cuidadosamente construo à minha volta caírem?
E se, depois de tantas incansáveis demandas, quiser voltar para porto seguro? E se ele já não existir?
E se me aceitar?
E se caminhar passo após passo, sem medo, segurando a mão de quem quer ficar e deixando ir quem ir deseja?
E se não tiver medo, não porque o caminho será fácil mas porque se esta batalha a mim está destinada a mim me cabe travá-la?
E se não tiver medo de ir ao chão, pois sei que me conseguirei reerguer?
E se pegar nas palavras ocas e as encher de sentido?
E se não tiver medo de escrever, de falar, de lutar?
E se me quiser perder?
E se me encontrar?
E se quando finalmente alguém derrubar os muros que me ocultam haja um tesouro escondido?
E se tomar a morte, as incertezas, as tristezas, as indecisões, as inseguranças e os medos como amigos, se os quiser conhecer, se os fizer meus companheiros, se os autorizar a participar nesta odisseia?
E se o Mundo, de uma vez por todas, me ouvir?
E se nem tudo correr como estava no guião? E se eu me tornar mestre do improviso?
E se decidir lutar contra tudo e contra todos, com tudo e com todos, mesmo que vá sem rumo, sem saber onde quero chegar?
E se um dia mais tarde olhar para trás e souber que fiz tudo o que pude, lutei tudo o que tinha para lutar, ri tudo o que tinha para rir?
E se pintar o Mundo não com os meus sorrisos e a minha alegria, mas com a dos outros?
E se me esquecer dos olhos atentos e maldosos que me rodeiam e quiser simplesmente ser a melhor versão de mim mesma?
E se confiar?
E se não ceder?
E se continuar?
E se respirar?

Luísa

"No fundo, todos temos necessidade de dizer quem somos e o que é que estamos a fazer e a necessidade de deixar algo feito, porque esta vida não é eterna e deixar coisas feitas pode ser uma forma de eternidade." - José Saramago

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