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Inspiration Lab

Deixar ir quem tem de ir

Cada vez mais reparo que nós, seres humanos, temos uma aparente impossiblidade de aceitar que as coisas mudam. Que os tempos evoluem. Que as pessoas crescem. E com elas, crescem os seus sentimentos, os seus pensamentos, as suas crenças, os seus objetivos. Não somos capazes de entender que alguém que já foi muito importante pode, por inúmeras razões, deixar de o ser, e não há qualquer mal nisso. Porque as pessoas mudam. E porque gostámos do que uma pessoa foi, não quer dizer que gostemos do que ela é. Lá porque em circunstâncias passadas uma pessoa estava bem na nossa vida, não quer dizer que o esteja para sempre.

Porque uma coisa é ser um amigo inconstante. Um dia, quando necessitam de nós, estarmos demasiado ocupados, mas quando já da pessoa precisamos, temos todo o tempo e dedicação para ela. Outra coisa completamente diferente é termos uma amizade importante e com significado com alguém, mas uma das pessoas mudar, ou ninguém mudar e  as circunstâncias ficarem diferentes e, sem terem de ser atribuídas culpas, as coisas ficam diferentes. E aí, se a relação já não fizer sentido, quem nos obriga a ficar atados a essa pessoa?

Porque relações forçadas, mesmo que em tempos passados tenham sido boas, passam a relações falsas, frias, distantes. Relações de aparências. Relações tóxicas. E mais vale uma relação inexistente do que uma que, mais do que já nada significar e nem sentido fazer, nos faz mal por nos forçar a viver numa ilusão. A ilusão de que tudo vai voltar ao normal, que se estas pessoas já foram importantes para nós, então sempre serão. E é verdade, às vezes basta tempo e espaço para as coisas regressarem ao normal. Mas há que entender quando chega de tentar, há que entender quando está na altura de deixar a pessoa ir. Quem sabe se não nos voltaremos a encontrar? Talvez, sim, um dia. Mas e que tal deixar o tempo tomar conta disso?

As memórias dos bons tempos, dos sentimentos, dos momentos, se nos fazem sentir bem, podem e devem ficar para sempre. Mas há que saber abrir mão de quem já não faz parte da nossa vida. Se permanentemente ou apenas por uns tempos, isso a vida nos mostrará. Até porque se, afinal de contas, sempre houver um lugarzinho para esse tal alguém na nossa vida, é esta a melhor forma de o entendermos, porque a saudade não perdoa e faz questão de receber a atenção que merece.

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Luísa

"No fundo, todos temos necessidade de dizer quem somos e o que é que estamos a fazer e a necessidade de deixar algo feito, porque esta vida não é eterna e deixar coisas feitas pode ser uma forma de eternidade." - José Saramago

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