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Inspiration Lab

Quem me dera voltar.

Quem me dera reviver os momentos em que as preocupações eram efémeras.
Quem me dera olhar para os presentes tempos com vontade de os enfrentar.
Quem me dera não ter tanto com que lidar e tão poucas armas para lutar.
Quem me dera ter a coragem que outrora me abençoou.
Quem me dera voltar a caminhar sem sentir o peso das preocupações sobre mim.
Quem me dera respirar novamente o ar da liberdade.
Quem me dera poder derrotar o que o meu caminho trava.
Quem me dera sentir a esperança novamente em mim.
Quem me dera não saber o que sei e saber o que não sei.
Quem me dera saber porque continuar.
Quem me dera não ser escrava dos meus medos.
Quem me dera regressar aos tempos em que tudo era tão linear.
Quem me dera não me recear expressar.
Quem me dera ainda viver no mundo em que os monstros no armário não me preocupavam, porque para os derrotar podia contar com a minha fiel princesa.
Quem me dera voltar a olhar o mundo com o alegre filtro da inocência.
Quem me dera saber viver.
Quem me dera crescer, mas alma leve ficar.
Quem me dera voltar.

Contracapa: filha do mar

 Este foi mais um daqueles livros que encontrei cá por casa e que achei que seria interessante. Li-o e não podia estar mais satisfeita de o ter feito. Neste post contar-vos-ei a ideia geral da história, assim como o que eu achei dela.

 

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encanto

O frio envolvia as trevas, mantendo as ruas desertas. Era a hora de quem não tinha casa sair à rua para se tentar encontrar. Era a hora das almas torturadas pelas sombras se deslocarem, na esperança que ninguém as ouvisse chorar. E nessa mesma hora, pelas ruas que todos conhecem mas que ninguém quer conhecer ele deambulava, murmurando para si próprio, os seus olhos transparentes tomados por uma tempestade fixados no nada. Perdido na escuridão, certo estava que nada podia fazer para salvar a sua alma de se perder na solidão.
Foi então que ao longe um canto soou. E nunca nada tão belo ele tinha ouvido. As palavras entoadas ele não entendia, mas o sentimento com que eram cantadas incendiou-lhe o coração. Caminhou, então, em direção à voz que o aquecia, para encontrar uma menina cantando com tudo, tocando para o nada. A emoção com que ela cantava arrebatou-lhe o coração. Ficando ele sem palavras, deixou-se encantar. E ele que nem era homem para lágrimas, deu por si chorando a sua emoção. Foi a força do cantar da menina que era bem mulher que o apaixonou. Foi a música que os uniu, o canto que os juntou.
Hoje em dia é diferente, apesar de tudo permanecer igual. Fácil é olhar para eles e não reconhecer quem um dia foram. Pois só os olhos atentos reparam que nunca mudaram. Porque por vezes parece que a vida é ocupada demais para amar. Por vezes parece que a vida nos dá tanto que fazer que nos separa do que deve ser feito. Porque o mais fácil é inventar desculpas para não se permitir sentir. O que os distingue, no entanto, de tantos outros que partilham uma vida não é o facto de por ela caminharem. Eles correm, correm muito. Correm de tudo, correm para todos. O que os distingue, na verdade, de tantos outros, é a capacidade de parar. E eles param. Porque quando ela canta, e encanta, o mundo dele, o mundo dela, o mundo deles (o mundo é deles!), pára. E quando eles param, param para amar.

 

 

Libertei-me

Caí. Cansei-me.
Cansei-me de me cansar por quem há muito se cansou de mim. Cansei-me de olhar por quem nunca me quis ver. Cansei-me de constantemente me recordar de quem já me esqueceu. Cansei-me de crer em quem nunca em mim acreditou. Cansei-me de procurar verdade no frio olhar de quem nunca me confortou. Cansei-me de me queimar para iluminar quem nunca me iluminou. Cansei-me de lutar. Cansei-me de continuar. Cansei-me de me cansar.
Libertei-me. Levantei-me.
Libertei-me de alguém que tudo recebia, mas nada dava. Libertei-me das mentiras de omissões mal disfarçadas. Libertei-me de quem me matava, sem nunca cortar o meu respirar. Libertei-me de quem me fazia ser quem nunca fui. Libertei-me de quem não me agarrava, sem nunca me deixar ir. Libertei-me de quem há muito perdi. Libertei-me, mas não me esqueci.

Ser Feliz

É fácil sermos felizes quando o sol brilha. É fácil sermos felizes quando o melodioso canto dos pássaros se faz ouvir. É fácil sermos felizes quando temos junto a nós quem mais amamos. É fácil sermos felizes quando viver parece simples. É fácil sermos felizes quando tudo parece fácil.
Difícil é sermos felizes quando as trevas tomam conta de quem somos. Difícil é sermos felizes quando deixamos de ver sentido nos nossos sonhos. Difícil é sermos felizes quando não encontramos razões para prosseguirmos no nosso caminho. Difícil é sermos felizes quando quem amamos não segura a nossa mão. Difícil é sermos felizes quando tudo parece difícil.
Ser-se feliz não é apenas transbordar felicidade quando ser feliz é fácil. Ser-se feliz não é parecer feliz. Ser-se feliz é ter a extraordinária capacidade de encontrar a luz em qualquer lado, mesmo nos lugares mais escuros e aterradores. Ser-se feliz é compreender a infelicidade de uma forma tão completa e profunda que a ideia de viver a vida sem um sorriso no rosto se torna insuportável. Ser-se feliz não é ter-se tudo. Ser-se feliz não é viver uma vida sem lacunas, sem problemas, sem preocupações. Ser-se feliz é contentar-se com o que se tem enquanto se trabalha incansavelmente para alcançar aquilo que mais se deseja. Ser-se feliz é amar a vida, mesmo quando ela parece não nos amar. Ser-se feliz é uma exigente luta diária sem fim, que tem recompensas a cada minuto que vivemos recusando a infelicidade como forma de vida. Ser-se feliz é amar a vida, é amar quem a vive, é amar o sentimento, é amar a liberdade, é amar a tristeza tanto quanto se ama a felicidade. Ser-se feliz é ser-se jovem, independentemente da idade.

Sem ti

Ver-te partir não me matou. Infelizmente. Melhor seria se a falta do teu olhar no meu tivesse tido esse efeito em mim. Mas não teve. Sempre pensei que não aguentaria ver-te ir embora sem nada poder fazer para que continuasses junto a mim. Sempre pensei que iria contigo, quando fosses para onde tinhas de ir. Sempre me assustou, o desconhecido. Sempre me aterrorizou, a escuridão. Mas, contigo, seria capaz de enfrentar os meus maiores medos, pois, contigo, sou quem sempre ardentemente desejei ser. E, contigo, saltaria para as trevas sem receios, apenas por segurar a tua mão.
Ausentaste-te da vida. Ausentaste-te de mim. Mas eu continuo aqui. E vida não me falta. E o sentimento abunda. E a dor destrói-me, sem nunca me matar. Falta-me a vontade de sentir. Quando penso que tudo o que sou está já completamente consumido pelo sofrimento, lembro-me do que sentia ao olhar o teu olhar, e as míseras ruínas que ainda representam quem sou dão de si, uma vez mais. Não sou mais do que um poço de desgosto. Não sou mais do que alguém assombrado pelas reminiscências de tempos de bonança que jamais voltarão. Não sou ninguém porque perdi quem me dava razões para ser alguém. Não sou ninguém porque te perdi. Não sou ninguém sem ti.

Aproveitemos.

Desfrutemos do calor enquanto ainda é verão.
Sorriamos enquanto a felicidade nos ilumina.
Caminhemos enquanto temos energia.
Lutemos enquanto conseguimos desembainhar a nossa espada.
Opinemos enquanto tal nos é permitido.
Viajemos enquanto nada nos prenda a lugar algum.
Amemos enquanto quem amamos está junto a nós.
Partilhemos enquanto são muitas as coisas que temos para partilhar.
Prossigamos enquanto há algo que incita a continuar.
Sejamos quem somos enquanto sabemos quem havemos de ser.


Aproveitemos a vida enquanto ela ainda dura, pois quando nos apercebermos do quão preciosa ela é, será tarde de mais para voltar atrás e fazer tudo o que desejávamos ter feito e acabámos por não fazer. E quanto mais cedo chegarmos à conclusão de que a vida é para ser vivida, as ações são para ser praticadas, as viagens feitas, os sorrisos distribuídos e as palavras proferidas, mais cedo alcançaremos a verdadeira felicidade e mais longe nos colocaremos do arrependimento.

Luísa

"No fundo, todos temos necessidade de dizer quem somos e o que é que estamos a fazer e a necessidade de deixar algo feito, porque esta vida não é eterna e deixar coisas feitas pode ser uma forma de eternidade." - José Saramago

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